quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Uso de floresta nativa como carvão vegetal recebe primeiro ‘tímido’ revés na Câmara dos Deputados



Resultado de quase dez anos de discussão entre entidades de defesa do meio ambiente, governo e extrativistas, foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na quarta-feira passada, 19, na forma de um ‘substitutivo’ (projeto original alterado em pontos importantes), o projeto de lei (PL) que proíbe a utilização de carvão vegetal extraído de mata nativa.
Apresentado em março deste anos pelo deputado Fernando Gabeira (PV/RJ), o PL 3003/08 foi modificado pelo relator, deputado Arnaldo Jardim (PPS/SP), ampliando de oito para dez anos o prazo progressivo para que a extração seja abolida por completo.
Matéria-prima extrativista, o uso do carvão vegetal deverá ser diminuído em 20% a cada dois anos pelas indústrias e siderúrgicas, até sua completa eliminação como fonte de energia, prevê o texto. O prazo inicial era de até oito anos após a vigência da lei.
O texto do relator livra da proibição madeiras oriundas de Plano de Manejo Sustentável, mas estabelece a obrigatoriedade de reposição, mediante o plantio de espécies nativas no Estado alvo da extração. Pequenos produtores rurais familiares ficam desobrigados de efetuar a reposição se a madeira for utilizada na propriedade.
Segundo Gabeira, o Código Florestal (Lei 4.771), de 1965, está desatualizado e os instrumentos jurídicos para combater o corte ilegal de madeira são frágeis. Ele alega que há uma ligação direta entre o desmatamento ilegal e a utilização do carvão vegetal extraído da mata nativa como combustível para fins industriais. De acordo com dados que apresentou à comissão, 49% do carvão vegetal utilizado provém das florestas nativas.
O substitutivo aprovado na comissão abranda a pena mínima para o crime ambiental configurado inicialmente no projeto, de seis meses a dois anos de detenção. No texto original era de um a dois anos.
O projeto agora aguarda relator na Comissão de Finanças e Tributação, mas ainda será votado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser apreciado pelo plenário da Câmara.
Foto: Uol/Imagens

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