domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eleições no Congresso: opção por Viana é estratégia do PSDB para 2010



A eleição para presidente e composição das mesas na Câmara e Senado começa amanhã, 2, a partir das 10 hs. Hoje, na Câmara, lideranças partidárias fazem acertos finais para a distribuição das vagas. São disputadas, além da presidência, a primeira e segunda vice-presidência e quatro secretarias. Além de fatia no poder decisório da mesa, os cargos dispõem de estrutura administrativa própria, verba e funções comissionadas para distribuir entre os correligionários.

Sem maiores dificuldades, tudo se encaminhava para o PMDB ocupar as presidências das duas casas do Congresso Nacional, com Michel Temer na Câmara e José Sarney no Senado. Só que o apoio de última hora do PSDB ao candidato do PT, senador Tião Viana, rompeu o marasmo da eleição no Senado e a vitória do ex-presidente, antes tranqüila, já não é mais tão tranqüila assim.

O que a princípio poderia parecer estranho, remete a uma disputa mais cobiçada: Eleição para presidente da república em 2010. Embora Lula jamais vá declarar isso, Sarney no comando do Senado pode significar o tão sonhado apoio do PMDB para eleger a ministra Dilma Roussef à presidência.

De sangue doce e sem mover uma palha, Lula assiste a tentativa do senador petista de viabilizar sua candidatura. A ficha do PSDB deve ter caído e a opção por Viana foi um contragolpe. Porém, ainda que uma reviravolta não esteja descartada, a tendência continua sendo a vitória de Sarney, inclusive com alguns votos de senadores do PT, que poderão ver a sucessão no Senado de forma mais pragmática, de olho em 2010.

Apesar do ‘fantasma’, presidência da Câmara deve ficar com Temer

Na Câmara, Michel Temer deve ganhar no primeiro turno com o apoio majoritário do PT, cumprindo o acordo que levou Arlindo Chinaglia (PT/SP) à presidência em 2007, apesar de Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) apostarem no efeito Severino Cavalcanti para virar o jogo em um eventual segundo turno. Fantasma que se não assusta pelo menos incomoda o favorito. Nogueira e Rebelo contam, também, com uma improvável surpresa no Senado para estimular, na Câmara, traições de última hora.

Em 2005, Severino Cavalcanti (PP-PE) ganhou a presidência da Câmara no segundo turno, superando o candidato do PT à época, Luiz Eduardo Greenhalgh, que havia vencido no primeiro turno por uma pequena margem de votos, sem atingir a maioria absoluta, como exige o regimento interno para definir a eleição em turno único.

A candidatura avulsa de Cavalcanti, além dos votos oposicionistas, contou com a rejeição do candidato oficial na base do governo, que não era unanimidade nem mesmo no PT. Pela primeira vez o maior partido da casa ficou sem nenhum cargo na mesa.
Foto C.Junior/SEFOT/Câmara

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